Presbyond (ZEISS). Combina micro-monovisão leve (diferença de até 1,5 D entre os olhos) com o controle da aberração esférica. Nas palavras do fabricante, o perfil de ablação é asférico e não linear, criando um gradiente contínuo de poder refrativo sobre toda a zona óptica da córnea (ZEISS, material técnico). O olho dominante fica ajustado de longe ao intermediário, o não dominante do intermediário ao perto, e a zona de transição (a blend zone) permite que o cérebro funda as duas imagens. Não há uma área de leitura demarcada na córnea; a superfície inteira participa. Veja como funciona o Presbyond em detalhe.
READ e Custom-Q (Alcon). Aqui a estratégia é modular o valor Q, o número que descreve o quanto a córnea é mais curva no centro do que na periferia. Tornando a córnea mais prolata, o laser induz aberração esférica negativa de forma controlada, o que estende a profundidade de foco. O perfil de perto vai no olho não dominante, com um alvo levemente míope; o olho dominante também é operado, com perfil asférico complementar. O READ, apresentado no Brasil em 2025, é a automação desse planejamento: no Custom-Q o cirurgião calcula os parâmetros manualmente; no READ, o software do fabricante faz o cálculo. A sigla significa Refractive Enhanced Adjusted Distance, conforme publicado pelo autor da técnica, Prof. Damien Gatinel.
PresbyMAX (SCHWIND) e SUPRACOR (Technolas/Bausch + Lomb). As duas criam zonas de foco diferentes na própria córnea: uma pequena área central mais curva, dedicada ao perto, cercada por uma zona periférica para longe. No SUPRACOR, essa área central tem cerca de 12 micrômetros de elevação nos 3 milímetros centrais, gerando uma adição aproximada de 2 dioptrias (Ang et al., Eye and Vision, 2016). No PresbyMAX, o perfil é bi-asférico, com adição de perto entre +0,75 e +2,50 D e quatro variantes de planejamento, incluindo uma função de reversão (SCHWIND). Como a pupila usa áreas diferentes da córnea conforme a luz, essas técnicas dependem mais do diâmetro pupilar, o que ajuda a entender os relatos de halos e de visão noturna reduzida em parte dos pacientes.
Monovisão convencional. Usa a ablação comum de qualquer plataforma para corrigir um olho para longe e deixar o outro míope para perto. A diferença em relação ao Presbyond é que não há extensão da profundidade de foco: cada olho enxerga bem a uma distância, e o intermediário costuma ser o ponto fraco. Entenda por que o Presbyond não é uma monovisão comum.