Cirurgia refrativa a laser

Cirurgia PRK: dói? O que é feito para controlar a dor e como é a recuperação

A cirurgia PRK costuma incomodar mais por volta do terceiro dia. Veja o que é feito para controlar a dor e como a visão se recupera, dia a dia.

Conteúdo médico escrito e revisado por: Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas, médica oftalmologista · CRM-SP 188301 | RQE 85160 · Atualizado em 19 de outubro de 2026

Resposta direta

A cirurgia PRK dói?

A cirurgia PRK é feita com anestesia em colírio, e o que a maior parte das pessoas percebe durante o procedimento é a luz, e não dor. O desconforto do PRK, em geral uma sensibilidade à luz, costuma aparecer depois, por volta do terceiro dia, e dura cerca de 24 horas, enquanto a camada da superfície do olho termina de se refazer.

Ele varia de pessoa para pessoa e pode ser reduzido com um conjunto de medidas tomadas antes, durante e depois da cirurgia. Outra coisa que pode assustar, e que não é dor, é o embaçamento dessa mesma fase: ele é esperado e passa.

A técnica

O que é a cirurgia PRK e por que ela incomoda nos primeiros dias

No PRK, o laser molda a córnea para corrigir o grau, como se a lente dos óculos passasse a estar esculpida no próprio olho. Para o laser atuar, é preciso antes retirar o epitélio, uma película muito fina que recobre a córnea e funciona como a pele do olho.

A córnea é uma das regiões com mais terminações nervosas de todo o corpo. O epitélio se refaz entre o terceiro e o quinto dia, em geral no terceiro. Na fase final do fechamento, as células se encontram no centro da córnea e formam uma espécie de pequeno relevo, e é nesse momento que a superfície fica mais sensível: podem aparecer ardor, sensação de areia, lacrimejamento e sensibilidade à luz. Depois do fechamento, leva cerca de 24 horas para esse relevo se acomodar, as células se reorganizarem e a sensibilidade à luz passar.

Em técnicas como o LASIK e o SMILE, o epitélio é preservado, e por isso a recuperação inicial costuma ser mais rápida. O PRK foi a primeira técnica a laser, criada no fim dos anos 1980, e segue sendo a técnica de escolha em várias situações, explicadas nas perguntas frequentes abaixo. As diferenças entre as técnicas estão em LASIK, PRK, SMILE e Presbyond: qual a diferença.

Protocolo

O que é feito para controlar a dor

No consultório da Dra. Ana Vega, o controle do desconforto no PRK segue um protocolo com várias medidas que se somam, do preparo até os dias seguintes à cirurgia. Algumas têm efeito comprovado em ensaios clínicos; outras se apoiam em mecanismos do corpo e em pesquisas ainda em andamento. Os medicamentos e a forma de uso são definidos na consulta, para cada paciente.

  1. Um colírio em concentração diluída, aplicado antes da cirurgia. A Dra. Ana é coautora de um estudo randomizado publicado em 2026 nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, com 124 pacientes, 70 deles operados de PRK. O colírio diluído reduziu de forma significativa os sintomas dos primeiros dias depois do PRK, sem alterar o tamanho da pupila (referência 2).
  2. Analgésico por via oral uma hora antes da cirurgia, mantido nos três primeiros dias. Um ensaio randomizado e controlado com a mesma associação de analgésicos encontrou dor menor depois do PRK: em 24 horas, a dor mediana foi 4, contra 7 no grupo sem o remédio, em uma escala de 0 a 10 (referência 3).
  3. Retirada do epitélio em formato oval, técnica conhecida como PRK geométrico. Um estudo do grupo de pesquisa do qual a Dra. Ana faz parte comparou o formato oval com o circular em 43 pacientes e encontrou recuperação da visão melhor no sexto dia com o oval. A área tratada fica cerca de 21% menor. Um possível ganho de conforto, com menos terminações nervosas expostas, ainda está sendo estudado (referência 4).
  4. Soro gelado na córnea, antes e depois do laser. O resfriamento reduz por alguns instantes a temperatura da superfície da córnea. Estudos mostraram menos dor no primeiro dia e menos opacidade com o resfriamento, embora pesquisas posteriores tenham tido resultados divergentes (referências 5 a 7).
  5. Lente de contato terapêutica, colocada ao final da cirurgia como um curativo enquanto o epitélio se refaz. A Dra. Ana usa uma lente de uso médico com alta umectação e alta passagem de oxigênio, que permite dormir com ela, pode ficar até 7 dias e costuma ser retirada no consultório por volta do quinto dia. Estudos que compararam lentes terapêuticas depois do PRK encontraram menos dor com o material de maior desempenho (referências 8 e 9).
  6. Colírio anti-inflamatório nos primeiros dias. Ele reduz as substâncias do corpo que causam inflamação e sensibilidade. Em um ensaio com 157 pacientes, a dor máxima depois do PRK foi menor com o anti-inflamatório em colírio do que com o anti-inflamatório por via oral (referência 10). O uso pede acompanhamento, porque precisa respeitar o fechamento da superfície do olho.
  7. Conversa e óculos até a hora da cirurgia. O paciente fica de óculos até o momento em que eles precisam ser retirados, e a médica conversa com ele durante todo o procedimento. O objetivo é diminuir a ansiedade e evitar que a pessoa fique sem enxergar em um ambiente desconhecido. Revisões de estudos mostram que orientação e acolhimento antes da cirurgia reduzem a ansiedade; elas não medem a dor depois do PRK (referências 11 e 12).

Nos dias seguintes, também entram o colírio lubrificante, que ajuda na oscilação da visão das primeiras semanas, os olhos fechados o máximo possível nas primeiras oito horas (pode abrir para comer e se locomover) e os retornos programados: no dia seguinte e para a retirada da lente terapêutica.

Uma revisão da Academia Americana de Oftalmologia, com 51 estudos sobre o controle da dor depois do PRK, encontrou evidência favorável para o analgésico por via oral, o anti-inflamatório em colírio, determinadas lentes terapêuticas e outras medidas de conforto (referência 1).

Importante: Nenhum conjunto de medidas elimina a possibilidade de desconforto, porque a dor é pessoal e varia de uma pessoa para outra. O objetivo é que ele seja leve e controlável. Se a dor for forte, a equipe precisa ser avisada para ajustar a medicação.

Recuperação

Dor é uma coisa, embaçamento é outra

Boa parte do susto de quem opera vem da visão, não da dor. A visão depois do PRK não melhora em linha reta: ela começa boa, embaça e volta a melhorar. Saber disso antes muda a experiência.

QuandoO que costuma acontecer com a visão
Primeiras 48 horasVisão funcional, com leve embaçamento. Dá para se locomover e usar o celular
Fim do 2º dia ao 3º diaFase de maior sensibilidade à luz e de maior embaçamento, que costuma durar cerca de 24 horas. É quando as células do epitélio se encontram no centro da córnea
Por volta do 5º diaRetirada da lente terapêutica no consultório
2ª e 3ª semanasA visão oscila ao longo do dia, em geral pior à tarde, com contornos que parecem duplicados. Melhora com o colírio lubrificante, usado de hora em hora nessa fase, conforme a orientação da equipe
21 a 31 diasVisão próxima da que a pessoa tinha com os óculos
3 a 6 mesesResultado estabilizado
Relatos na internet

“Li relatos assustadores na internet”

É comum chegar à consulta depois de ler relatos de quem sentiu muita dor no PRK. Eles existem e merecem ser levados a sério. Vale saber três coisas ao ler:

  1. As experiências variam. A técnica usada, os cuidados do pós-operatório, que mudam de uma equipe para outra, e a sensibilidade de cada pessoa mudam bastante o que se sente.
  2. Muitos relatos misturam dor e embaçamento. O dia de visão pior é esperado e, com as medidas de controle da dor, em geral não vem com dor forte.
  3. Quem teve uma experiência difícil costuma escrever mais. Isso distorce a impressão de quem pesquisa.

O que ajuda de verdade é perguntar na consulta quais medidas de controle da dor serão usadas no seu caso e como será o contato com a equipe nos primeiros dias.

As avaliações de pacientes da Dra. Ana estão no perfil do consultório no Google.

Pós-operatório

Quando avisar a equipe

Entre em contato com o consultório se houver:

  • dor forte que não melhora com a medicação prescrita;
  • piora da visão fora do padrão descrito acima;
  • secreção ou vermelhidão intensa;
  • saída da lente terapêutica do olho antes do retorno.
Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre a dor no PRK

O procedimento é feito com anestesia em colírio. O relato mais comum é de luzes, e não de dor.

Ele costuma começar no fim do segundo dia ou no início do terceiro e dura cerca de 24 horas, enquanto o epitélio termina de se refazer. Depois disso diminui. A intensidade varia de pessoa para pessoa.

Não por conta própria. O uso repetido de anestésico pode atrasar a cicatrização da superfície do olho. Use apenas o que foi prescrito para você.

A cirurgia de PRK em si costuma ser mais confortável que a do LASIK e, em geral, mais rápida, porque usa apenas um laser. Já o desconforto do pós-operatório costuma ser maior no PRK, a partir do terceiro dia, porque o epitélio é retirado e precisa se refazer. A escolha entre as técnicas depende dos exames, e não só do conforto inicial.

Depende do tipo de trabalho. Atividades em casa, no computador, costumam ser possíveis nos primeiros dias, com pausas. O retorno presencial em geral fica para 24 horas depois do dia de maior embaçamento.

Existem situações em que o PRK pode ser a técnica mais indicada pelo seu médico:

  • Córneas mais finas, quando é importante preservar ao máximo a estrutura da córnea.
  • Córneas com alterações no formato, em casos em que essas alterações não contraindicam a cirurgia a laser.
  • Graus mais elevados, quando se deseja preservar mais tecido da córnea, respeitando os limites de segurança.
  • Pacientes mais jovens, que podem ter mais disponibilidade para uma recuperação gradual e desejam preservar a córnea a longo prazo.
  • Quem já fez LASIK ou SMILE e precisa de um pequeno ajuste no grau, quando não é possível repetir a técnica anterior por razões técnicas.

Embora a recuperação visual do PRK seja mais lenta nos primeiros dias, os resultados a longo prazo podem ser tão bons quanto os de outras técnicas, quando a indicação é adequada. O objetivo não é escolher a cirurgia que permite enxergar bem mais rápido, mas a que oferece o melhor equilíbrio entre segurança, qualidade da visão e preservação da córnea para o futuro.

Leve essa dúvida para a consulta

Se a dor é o que está entre você e a decisão de operar, leve essa dúvida para a consulta e saiba que já existem medidas para controlar a dor antes, durante e depois da cirurgia. É na avaliação que se define a técnica indicada para os seus olhos e como será o seu pós-operatório.

Referências e transparência

Fontes consultadas

  1. Management of Pain after Photorefractive Keratectomy: A Report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology. 2023. PubMed 36207168.
  2. Napolitano NFG, Freitas AVC, et al. Arq Bras Oftalmol. 2026;89(3). doi.org/10.5935/0004-2749.2025-0330
  3. Ensaio randomizado, duplo-cego e controlado sobre analgesia oral depois do PRK. PubMed 28820793.
  4. Influência do formato da desepitelização corneana sobre a acuidade visual no pós-operatório da ceratectomia fotorrefrativa (PRK). Rev Bras Oftalmol. 2016;75(4). doi.org/10.5935/0034-7280.20160054
  5. Niizuma T, et al. Cooling the Cornea to Prevent Side Effects of Photorefractive Keratectomy. J Refract Surg. 1994;10(2):S262-S266. doi.org/10.3928/1081-597X-19940302-24
  6. Kitazawa Y, et al. Cooling Effect on Excimer Laser Photorefractive Keratectomy. 1999. doi.org/10.1016/S0886-3350(99)00207-2
  7. Zarei-Ghanavati S, et al. Efficacy of corneal cooling on postoperative pain management after photorefractive keratectomy. J Curr Ophthalmol. 2017. PubMed 29270472.
  8. Comparison of 3 silicone hydrogel bandage soft contact lenses for pain control after photorefractive keratectomy. 2014. PubMed 25217073.
  9. Bandage contact lens use after photorefractive keratectomy. 2019. PubMed 31213328.
  10. Survey of Postoperative Pain in Photorefractive Keratectomy Using Topical versus Oral Nonsteroidal Anti-Inflammatory Drugs. 2020. PubMed 32546954.
  11. Alanazi AA. Reducing anxiety in preoperative patients: a systematic review. Br J Nurs. 2014. PubMed 24732993.
  12. A systematic review of information format and timing before scheduled adult surgery for peri-operative anxiety. Anaesthesia. 2017. PubMed 28891062.

Conteúdo escrito e revisado pela Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas, médica oftalmologista, CRM-SP 188301, RQE 85160. A Dra. Ana Vega é coautora do estudo da referência 2 e integra o grupo de pesquisa do estudo da referência 4. Os medicamentos, as doses e os materiais são definidos na consulta, para cada paciente, e por isso não aparecem nesta página. Este conteúdo tem finalidade informativa e educacional, não substitui consulta médica e segue as diretrizes de publicidade médica do CFM (Resolução CFM nº 2.336/2023).

Quer avaliar seu caso?

Tem dúvidas sobre a dor ou a recuperação do PRK? Fale com a equipe da Dra. Ana Vega.

Neste conteúdo

Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas
CRM-SP 188301 | RQE 85160
Doutorado USP · Certificação ZEISS Presbyond
Oftalmologista no Tatuapé, São Paulo