Vista cansada

Presbyond, lente intraocular ou monovisão: qual caminho faz sentido para você?

Três caminhos para depender menos dos óculos de perto depois dos 40. Entenda o que muda em cada um e quais exames ajudam a decidir com segurança.

Conteúdo médico escrito e revisado por: Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas, médica oftalmologista · CRM-SP 188301 | RQE 85160 · Atualizado em 19 de outubro de 2026

Resposta direta

Qual a diferença entre Presbyond, lente intraocular e monovisão?

Os três caminhos tratam a presbiopia de formas diferentes. O Presbyond é um laser feito na córnea que ajusta cada olho para uma faixa de distância e deixa o cérebro combinar as imagens. A lente intraocular substitui o cristalino, a lente natural do olho, por uma lente artificial que pode ter mais de um foco. A monovisão com lente de contato ou óculos corrige um olho para longe e outro para perto, sem cirurgia.

A escolha depende da idade, do estado do cristalino, do grau, da anatomia da córnea, da profissão e de quanto cada pessoa tolera diferença entre os olhos, e só se define depois de uma avaliação completa.

Comparação

O que muda em cada caminho

PresbyondLente intraocularMonovisão sem cirurgia
Onde ageNa córnea, a superfície da frente do olhoDentro do olho, no lugar do cristalinoFora do olho, com lente de contato ou óculos
Tipo de procedimentoLaser, ambulatorialCirurgia intraocular, feita um olho por vezAdaptação de lentes de contato, no consultório
O cristalinoPermaneceÉ retiradoPermanece
Perfil que costuma ser avaliadoEntre 40 e 70 anos, cristalino transparente, córnea com anatomia adequadaPessoas com indicação de cirurgia de catarata, com risco de glaucoma agudo de ângulo fechado ou a partir dos 55 anos que queiram trocar o cristalino por uma lente intraocularQuem prefere não operar, tem contraindicação à cirurgia ou quer experimentar a monovisão antes de decidir
Ajustes ao longo do tempoRefinamento possível se a córnea tiver anatomia adequada e espessura residualTroca ou ajuste da lente é mais complexo; ajustes podem ser feitos com laser na córnea ou com uma lente suplementar, inserida junto da primeiraTroca livre da lente de contato ou dos óculos
Efeitos visuais possíveisPeríodo de adaptação entre os olhosHalos e brilho ao redor de luzes à noite, com lentes multifocaisMenor noção de profundidade em algumas pessoas
Laser na córnea

Presbyond: quando o laser na córnea é o caminho avaliado

O Presbyond, da ZEISS, trabalha com um conceito chamado visão combinada: o olho dominante fica ajustado principalmente para longe e para a distância intermediária, o outro um pouco mais para perto e para a intermediária, e o perfil do laser amplia a profundidade de foco de cada um. A diferença de visão entre os dois olhos é menor do que na monovisão tradicional, e a faixa intermediária, a da tela do computador, fica coberta pelos dois olhos ao mesmo tempo.

Pontos que costumam pesar a favor do laser na avaliação:

  • o cristalino ainda é transparente e funciona bem;
  • a córnea tem espessura, formato e regularidade adequados, conferidos na topografia e na tomografia;
  • os olhos são saudáveis e têm condições para uma boa integração da visão entre os dois;
  • a pessoa tolera bem a diferença entre os olhos, o que é avaliado no teste de tolerância feito no consultório;
  • o grau está dentro da faixa tratável pelo laser.

A adaptação e a pergunta mais comum, se o Presbyond piora a visão de longe, estão explicadas em o Presbyond piora a visão de longe?. As diferenças entre o Presbyond e as outras técnicas a laser estão em técnicas a laser para presbiopia.

Troca do cristalino

Lente intraocular: quando a troca do cristalino entra na conversa

Na troca do cristalino, a lente natural do olho é substituída por uma lente artificial. Existem lentes de um foco só, que corrigem uma distância, e lentes que ampliam a faixa de foco, como as multifocais e as de foco estendido.

É um caminho avaliado quando o cristalino já não oferece a qualidade de visão esperada, porque a pessoa está com catarata, e também quando há risco aumentado de glaucoma agudo pelo fechamento do ângulo entre a íris e a córnea. Nessas situações, a cirurgia de remoção do cristalino já está tecnicamente indicada, e aproveita-se o momento para implantar uma lente intraocular que traga mais independência dos óculos.

Desde 2022, o Parecer CFM nº 2/2022, do Conselho Federal de Medicina, permite a troca do cristalino com finalidade refrativa também em pessoas sem catarata, para reduzir a dependência dos óculos. O parecer prevê a cirurgia a partir dos 55 anos, em pessoas com presbiopia e hipermetropia moderada ou alta (acima de +1,50 D), e também em olhos com miopia, desde que não haja rupturas na periferia da retina sem tratamento. A decisão é tomada quando paciente e cirurgião estão de acordo com os riscos da cirurgia.

Por ser uma cirurgia dentro do olho, a avaliação dos riscos é diferente da cirurgia a laser na córnea, e a decisão leva em conta a idade, o estado da retina e o grau de cada olho. Com lentes multifocais, parte das pessoas percebe halos e brilho ao redor de luzes, sobretudo à noite.

Trocar o cristalino cedo: o que pesar

A ideia de que a troca do cristalino garante uma visão estável para sempre é equivocada. Embora a lente intraocular não envelheça como o cristalino natural, a córnea e a retina continuam envelhecendo e podem sofrer alterações que mudam o grau e a qualidade da visão ao longo dos anos.

Há outra questão importante: ao substituir cedo um cristalino saudável, a pessoa fica vinculada à tecnologia da lente escolhida naquele momento, muitas vezes anos ou décadas antes de realmente precisar de uma cirurgia de catarata. Nesse período, podem surgir lentes com possibilidades que não existiam quando a cirurgia foi feita.

Por isso, em quem tem o cristalino transparente e condições adequadas para a cirurgia a laser, preservar o cristalino natural pode ser uma escolha estratégica: evita uma cirurgia dentro do olho antes da hora e mantém as opções abertas para o futuro. A melhor decisão não é necessariamente trocar o cristalino o quanto antes, mas escolher o momento e a tecnologia mais adequados para cada fase da vida.

Sem cirurgia

Monovisão sem cirurgia: uma opção para experimentar

A monovisão com lente de contato corrige um olho para longe e o outro para perto. Para algumas pessoas é uma solução definitiva; para outras, é uma forma de experimentar, na prática, como o cérebro lida com a diferença entre os olhos na monovisão simples.

Ela não serve como teste para o Presbyond. O Presbyond não muda apenas o grau: ele também modela a córnea de uma forma especial, ajustando a aberração esférica de cada olho, e a lente de contato não reproduz isso. Para o Presbyond, a avaliação é feita no consultório, com o teste de tolerância.

Os óculos multifocais e as lentes de contato multifocais também seguem como opção para quem não quer ou não pode operar.

Avaliação

Como a decisão é feita na avaliação

Nenhum dos três caminhos é o certo para todo mundo, e a indicação não depende só do grau. O que define o caminho é o conjunto de exames e a conversa sobre a rotina de cada pessoa:

  1. Refração completa, com e sem dilatação da pupila, para saber o grau real.
  2. Topografia e tomografia da córnea, para medir formato, regularidade e espessura.
  3. Avaliação do cristalino, para saber se ele ainda é transparente.
  4. Avaliação da saúde do olho, incluindo a retina e a pressão ocular.
  5. Teste de dominância ocular, para definir qual olho fica ajustado prioritariamente para longe.
  6. Teste de tolerância, feito no consultório, sem lente de contato, para ver como a pessoa se adapta à diferença entre os olhos.
  7. Conversa sobre a rotina: direção à noite, tempo de tela, leitura, esporte, profissão.

Quando o Presbyond não é indicado. Mesmo com o grau dentro dos limites, há situações em que o Presbyond não é o caminho: córneas muito finas ou com alterações, como o ceratocone, ou transplante de córnea; cirurgias antigas nos olhos, como a ceratotomia radial; olho seco intenso; catarata que já precisa ser operada; doenças da retina ou baixa visão importante; glaucoma; alguns tipos de estrabismo; dificuldade de adaptação à técnica; e expectativas fora da realidade. A página Quem pode e quem não pode fazer o Presbyond explica cada uma.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns na hora de decidir

A idade sozinha não define. O que pesa é o estado do cristalino e da córnea, avaliados nos exames.

Em geral, uma cirurgia a laser na córnea não impede uma cirurgia no cristalino anos depois. O cálculo da lente passa a considerar a cirurgia anterior, por isso guardar os exames de antes do laser é importante.

A lente é feita para durar. O que pode mudar com o tempo são outras estruturas do olho, que podem mudar o grau e são acompanhadas nas consultas de rotina.

Não. O teste para o Presbyond é o teste de tolerância, feito no consultório pelo oftalmologista, sem lente de contato.

A monovisão sem cirurgia tem custo recorrente, com lentes e consultas. Entre as cirurgias, a troca do cristalino com lentes de alta tecnologia costuma custar mais que o Presbyond. Ela é feita em duas idas ao centro cirúrgico, uma para cada olho, com equipe completa nos dois dias, inclusive médico anestesista, e soma o custo das lentes e de insumos que o laser não usa, como géis e injetores de lente. O que entra no valor do Presbyond está explicado em quanto custa o Presbyond.

O atendimento da Dra. Ana Vega é exclusivamente particular, tanto nas consultas quanto nas cirurgias. Pelo contato com a equipe, é possível ter uma média dos valores da consulta e da cirurgia antes mesmo da pré-avaliação. O valor da cirurgia inclui o aluguel dos lasers, os materiais cirúrgicos, a equipe técnica completa, os colírios usados na semana da cirurgia, o telefone pessoal da médica e todas as consultas de acompanhamento do pós-operatório por um ano. Depois da avaliação, a equipe orienta sobre a documentação para solicitar o reembolso ao seu plano de saúde. A possibilidade e o valor do reembolso dependem das condições do seu contrato.

O primeiro passo é a avaliação

Se você está entre os 40 e os 70 anos e quer depender menos dos óculos de perto, o primeiro passo é uma avaliação completa. É nela que se define qual dos caminhos faz sentido para os seus olhos e a sua rotina.

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Referências e transparência

Fontes consultadas

  1. Visual and Refractive Outcomes After Laser Blended Vision (PRESBYOND) in Patients With Myopia and Hyperopia. J Refract Surg. 2025. doi.org/10.3928/1081597x-20250805-04
  2. American Academy of Ophthalmology, EyeNet. Getting Clear On Refractive Lens Exchange.
  3. American Academy of Ophthalmology, Focal Points. Refractive Lens Exchange: Patient Selection Criteria.
  4. Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 2/2022: critérios para a troca do cristalino com finalidade refrativa. Notícia do CFM de 23/02/2022, portal.cfm.org.br/noticias/parecer-define-criterios-para-tcr/

Conteúdo escrito e revisado pela Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas, médica oftalmologista, CRM-SP 188301, RQE 85160. Este conteúdo tem finalidade informativa e educacional, não substitui consulta médica e segue as diretrizes de publicidade médica do CFM (Resolução CFM nº 2.336/2023).

Quer avaliar seu caso?

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Neste conteúdo

Dra. Ana Vega Carreiro de Freitas
CRM-SP 188301 | RQE 85160
Doutorado USP · Certificação ZEISS Presbyond
Oftalmologista no Tatuapé, São Paulo