Na troca do cristalino, a lente natural do olho é substituída por uma lente artificial. Existem lentes de um foco só, que corrigem uma distância, e lentes que ampliam a faixa de foco, como as multifocais e as de foco estendido.
É um caminho avaliado quando o cristalino já não oferece a qualidade de visão esperada, porque a pessoa está com catarata, e também quando há risco aumentado de glaucoma agudo pelo fechamento do ângulo entre a íris e a córnea. Nessas situações, a cirurgia de remoção do cristalino já está tecnicamente indicada, e aproveita-se o momento para implantar uma lente intraocular que traga mais independência dos óculos.
Desde 2022, o Parecer CFM nº 2/2022, do Conselho Federal de Medicina, permite a troca do cristalino com finalidade refrativa também em pessoas sem catarata, para reduzir a dependência dos óculos. O parecer prevê a cirurgia a partir dos 55 anos, em pessoas com presbiopia e hipermetropia moderada ou alta (acima de +1,50 D), e também em olhos com miopia, desde que não haja rupturas na periferia da retina sem tratamento. A decisão é tomada quando paciente e cirurgião estão de acordo com os riscos da cirurgia.
Por ser uma cirurgia dentro do olho, a avaliação dos riscos é diferente da cirurgia a laser na córnea, e a decisão leva em conta a idade, o estado da retina e o grau de cada olho. Com lentes multifocais, parte das pessoas percebe halos e brilho ao redor de luzes, sobretudo à noite.
A ideia de que a troca do cristalino garante uma visão estável para sempre é equivocada. Embora a lente intraocular não envelheça como o cristalino natural, a córnea e a retina continuam envelhecendo e podem sofrer alterações que mudam o grau e a qualidade da visão ao longo dos anos.
Há outra questão importante: ao substituir cedo um cristalino saudável, a pessoa fica vinculada à tecnologia da lente escolhida naquele momento, muitas vezes anos ou décadas antes de realmente precisar de uma cirurgia de catarata. Nesse período, podem surgir lentes com possibilidades que não existiam quando a cirurgia foi feita.
Por isso, em quem tem o cristalino transparente e condições adequadas para a cirurgia a laser, preservar o cristalino natural pode ser uma escolha estratégica: evita uma cirurgia dentro do olho antes da hora e mantém as opções abertas para o futuro. A melhor decisão não é necessariamente trocar o cristalino o quanto antes, mas escolher o momento e a tecnologia mais adequados para cada fase da vida.